Meu início aqui na Associação Comunitária Monte Azul foi muito interessante. Quando eu cheguei a Riki era a responsável pelos voluntários internacionais e já havia feito planos para conhecermos a associação Monte Azul. Mas até agora no final, eu ainda não conheço a estrutura social inteira. 

Favela Monte Azul

Favela Monte Azul

E assim começou a minha nova vida aqui no Brasil. Depois de conhecermos o centro cultural fomos para a favela Monte Azul. Nessa região há muitas casas de concreto, pequenas e de cores vermelhas, porém com muita vida. Eu nunca havia visto antes casas tão juntas sem estrutura  antes. No começo foi muito difícil para eu morar nesse lugar, assim como não gostei da cidade de São Paulo. Especialmente da favela as crianças não têm espaço para brincar e sempre tem que ter alguém por perto. A mistura do lixo, do cheiro de arroz e do feijão e das pessoas não me fazia bem. Ficar aqui um ano vai ser um desafio, eu pensei no começo. Mas a cada dia que eu ia para favela brincar com as crianças, eu me sentia melhor. Agora eu posso falar, que a favela Monte Azul pra mim é como uma grande família. Conheço muitos adultos e muito mais crianças, que sempre gritam “tio Helmut” quando eu ando pela favela.

Riki nos mostrou as pequenas creches, que ainda estavam todas separadas, em uma casa única escondida na favela. Depois eles mudaram para a nova casa, grande com cores bonitas.

Riki nos mostrou as pequenas creches, que ainda estavam todas separadas, em uma casa única escondida na favela. Depois eles mudaram para a nova casa, grande com cores bonitas.

Depois nós fomos para Peinha. A favela que parece ser ainda mais estreita e mais pobre. Talvez por causa dos moradores de rua, que  dormem em frente da casa amarela com o símbolo da Associação. Nós visitamos as creches e a cozinha. Subindo as escadas estreitas com os degraus quebrados nós chegamos a mais salas para os jovens.

Desse lugar pobre, mas cheio de calor humano e da vida, tem uma vista para o Centro Empresarial de São Paulo, um prédio rico e poderoso. Do outro lado da Peinha ficam os edifícios luxuosos do  Morumbi. Desde então comecei a pensar por que existe esse contraste extremo entre os dois mundos no Brasil: Rico e pobre?

Graças aos esforços da Riki em mostrar os lugares e ter feito uma apresentação com PowerPoint sobre a associação, me senti informado sobre as diversas áreas da Monte Azul. Passei a me sentir em casa.

No primeiro mês, cada dia eu podia trabalhar numa área diferente. Nas creches, na nossa ciranda, no caminhando junto, nas cozinhas e na padaria. Depois do primeiro mês eu ainda não conhecia todas as partes dessa ONG tão grande.

Desde quando estava na Alemanha já sabia, que iria dar aula de violoncelo. Então quando cheguei comecei a assistir ás aulas da Ann-Sophi, que dava aula de Violino antes da Wiebke. Gostei de assistir ás aulas e fiquei muito contente quando depois de três semanas as minhas aulas finalmente começaram.

O Centro Cultural, onde eu trabalhei.

O Centro Cultural, onde eu trabalhei.

Cheguei na Monte Azul com muita vontade e coragem de falar mas com pouco conhecimento da língua Portuguesa. Eu só sabia falar o meu nome, de onde eu vim, minha idade e o que eu vou fazer aqui, mesmo tendo tido dez aulas de português na Alemanha. Mas por causa do “Abitur” em francês, eu não aprendi muitas coisas. Eu também não posso recomendar a fazer aulas de português na Alemanha antes de vir, por que aqui é mais fácil e com muito mais alegria.

Eu me lembro muito bem, quando eu visitei uma sala da nossa ciranda no terceiro dia, e eu não entendi nada. Nas outras viagens que eu fiz, sempre tinha alguém que já dominava outros idiomas que já sabia. Na sala da Adriana foi diferente, pois ninguém falava inglês. Mas, gostei desse fato de que a maioria só sabe português aprendi com mais vontade ainda. Maciela me deu aulas, mas percebi que ajudou pouco. O quanto que aprendi, só dependeu do tempo que fiquei estudando a gramática e das palavras, que escrevia no meu bloco de notas durante o dia. A noite mesmo quando estava muito cansado, a minha única leitura era meu livro de português, minha vontade de aprender era muito grande para não ficar “de bobeira” sem entender nada. Depois de um mês de muita leitura achei que já poderia ajudar as educadoras.

Nova vida no Brasil.

Que iria dar aula de violoncelo já sabia na Alemanha, o resto eu escolhi seguindo as minhas vontades e capacidades! A Associação Monte Azul é muito boa, porque os voluntários podem escolher totalmente livre a área aonde eles querem trabalhar, mesmo se no começo for difícil saber aonde minha ajuda é necessário. Nossa ONG sempre muda com cada um que entra e sai. Cada um acha o seu lugar onde ele pode fazer o bem para a comunidade. E os colaboradores que já trabalham há mais tempo são flexíveis. Eles me integraram com muita facilidade.

Depois de três meses não fiquei mais tão cansado como no começo, quando cada frase parecia uma prova da escola. Quanto mais tempo que fiquei, mais gostei da Monte Azul e do meu trabalho. Os dias ficaram mais fáceis porque aprendi a falar português, sabia mais sobre o meu trabalho e conheci mais amigos.

Eu agradeço muito a todos da Monte Azul.

Uma Favela perto do aeroporto Congonhas.


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